I M P R E N S A
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O Estado de São Paulo - Segunda-Feira,
26 de Outubro de 2009 | Versão Impressa Chamada
no site como “Urbanismo” - Metrópole
Por R$ 60 milhões, um plano para redecorar a Gabriel
Monteiro
Lojistas da alameda começam reforma de cinco anos que prevê novo
paisagismo e construção de garagens
Vitor Hugo Brandalise

Em 10 de novembro, um pedaço de 30 metros de calçada, na esquina entre a Avenida Brasil e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins, zona sul da capital, será trocado por piso 80% drenante, de cimento mesclado com faixas de grama, blocos cinzas e vermelhos, além de faixas táteis para deficientes visuais. O trecho do novo piso - pequeno, se comparado aos 2 mil metros da via - simboliza um projeto ambicioso, com orçamento total de R$ 60 milhões. Trata-se do lançamento do plano de requalificação urbana da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, projeto que pretende, até 2014, transformar a via em referência mundial no segmento da decoração de alto luxo.
A iniciativa é de 80 comerciantes da rua, que contrataram equipe de 18 arquitetos, engenheiros e designers para elaborar o projeto. O plano prevê melhorias no mobiliário urbano, jardins, iluminação, estacionamento e sinalização da via. Todos os fios - de luz, telefone, internet e TV a cabo - serão enterrados, segundo prevê o projeto. Todos os 2 mil m de calçada terão faixas táteis para deficientes visuais e serão acessíveis, além de terem piso permeável. Outro elemento inovador previsto é a instalação de vitrines com espaço expositivo "tridimensional", instaladas nos jardins em frente às lojas.
"A rua será completamente transformada. Com calçadas largas, bem iluminadas, atrativos em frente à lojas, bancos e árvores, a via voltará a ter grande circulação. É esse o sentido de melhoria urbanística", disse o arquiteto Bruno Padovano, coordenador da equipe que elaborou a proposta. A meta de atrair mais pedestres é tão nobre quanto árdua: os próprios comerciantes brincam que há mais seguranças de lojas que pessoas andando pelas calçadas da Gabriel Monteiro.
Desde agosto, os representantes das maiores empresas de móveis e decoração do País movimentam-se para firmar convênio com a Prefeitura - já apresentaram o plano à Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e à Secretaria de Desenvolvimento Urbano da capital. "Todo projeto que pretenda enterrar cabos e criar calçadas permeáveis na cidade recebe imediatamente a simpatia da administração", disse a diretora de projetos da Emurb, Regina Monteiro. "Isso porque empresários geralmente propõem o oposto, com calçadas cimentadas e sem pensar na melhoria da paisagem urbana."
O plano também prevê instalação de iluminação vertical, com postes voltados para baixo e focos de luz instalados no piso. Bancos nas calçadas, lixeiras para coleta seletiva e instalação de elementos representativos da identidade visual da via - será a sigla AG (de Alameda Gabriel) - são outras melhorias propostas. A cada dez metros, segundo o projeto, serão plantados exemplares de Pau-Ferro, árvore muito presente nos Jardins, escolhida por representar a área. "A ideia é começar as mudanças no ano que vem, para tudo ficar pronto até 2014", disse o vice-presidente da Associação Alameda Gabriel, Marcel Rivkind, dono da marca Breton. "Já começou a circular a informação. Não vai faltar apoio." A inspiração maior para a elaboração do projeto, diz o empresário, veio da Rua Oscar Freire, reformada em 2006.
ESTACIONAMENTOS
Numa segunda fase, os lojistas pretendem construir quatro estacionamentos verticais, em prédios de três andares acima e três no subsolo, com capacidade para mil vagas. "Isso eliminaria o estacionamento em frente às lojas e abriria espaço aos pedestres. Vamos pleitear mudanças no zoneamento, para obter maior espaço construtivo", disse Rivkind. "Os desafios não são poucos, mas há gente boa envolvida que vai fazer acontecer."