| O prefeito
Gilberto Kassab abriu nesta quarta-feira (21) a 7ª Conferência
Municipal de Produção Mais Limpa. Realizada no Palácio
das Convenções do Anhembi, o encontro discutiu o tema "O
Etanol e a Cidade de São Paulo: Suas Perspectivas e Oportunidades".
Debateu experiências e práticas de produção
mais limpa, com representantes de empresas, administração
pública, terceiro setor e sociedade civil. Especialistas de vários
países defenderam propostas de políticas ambientais, econômicas
e sociais relacionadas à produção e ao uso de etanol
como combustível limpo e renovável, em substituição
à gasolina.
A escolha do tema está diretamente relacionada ao aquecimento global,
que provoca discussões importantes, como a do uso de biocombustíveis
para minimizar a emissão de gases poluentes na atmosfera, uma das
principais causas do aquecimento.
Os veículos automotores são vilões que contribuem
para agravar o quadro. No mundo todo, a frota de automóveis é
de cerca de 600 milhões, e a maior parte usa derivados de petróleo
como combustível. Por este motivo, o debate sobre o uso do etanol
está na ordem do dia. Trata-se uma fonte de energia renovável
e menos poluidora, obtida a partir da fermentação de vegetais.
O álcool também é vantajoso na relação
custo/benefício e tem participação importante na
economia brasileira - um grande pólo produtor, graças à
intensa atividade canavieira. Hoje, no Brasil, a estimativa é que
pouco mais de 40% de veículos sejam movidos a álcool - incluindo
os "flex" (motores que podem ser abastecidos com álcool
ou gasolina).
No resto do mundo, o etanol também é tema de debate. Os
Estados Unidos, por exemplo, se destacam pela produção de
álcool a partir do milho, mas com uso ainda pequeno como combustível
em veículos. Os norte-americanos pretendem substituir, até
2017, 20% da gasolina consumida naquele país.
Em janeiro deste ano, a frota paulistana atingiu a marca de 6 milhões
de veículos. Estima-se que a emissão de monóxido
de carbono dos carros seja de 70,6 mil toneladas ao ano, apenas na Cidade
de São Paulo. Os motores dos carros brasileiros novos são
do tipo flex, movidos a álcool e gasolina. Já a maioria
dos motores dos carros europeus é movida a diesel, considerado
mais eficiente.
A idéia de usar álcool em motores de ônibus não
é nova no Brasil. Na década de 1980, o combustível
era misturado a um elemento químico chamado dnteg. O problema da
mistura era o alto nível de poluentes emitidos, e por isso saiu
de uso. Já o etanol reduz em até 90% a emissão de
material particulado lançado na atmosfera. A Suécia usa
há mais de 16 anos álcool aditivado nos motores a diesel
dos ônibus que circulam naquele país. A Cidade de São
Paulo testa, desde o final do ano passado, na linha Jabaquara/São
Mateus, ônibus movido com o mesmo tipo de combustível.
Na abertura do evento, Kassab abordou experiências em curso em São
Paulo, com a finalidade de reduzir a emissão de poluentes pelos
ônibus coletivos. Estão em testes ônibus movidos a
biodiesel. A Prefeitura vai usar etanol nos ônibus para obter dados
acerca das vantagens do uso do combustível. Quer saber custos de
implantação de um projeto em maior escala. "É
muito positivo que isto aconteça, para que possamos trabalhar cada
vez mais em cima da redução aos danos que a operação
da frota coletiva provoca no meio ambiente. Diversas cidades do mundo
já fazem uso de energias alternativas não poluentes",
afirmou o prefeito de São Paulo.
Kassab ressaltou que a administração municipal vem tomando
uma série de medidas em favor do meio ambiente. Citou o plantio
de 500 mil árvores, o programa de inspeção dos ônibus
fretados e municipais, e dos veículos particulares. A inspeção
veicular é obrigatória já este ano para os 350 mil
veículos a diesel e, a partir de 2009, para toda a frota cadastrada
na Cidade.
"São Paulo vem tomando medidas de curto, médio e longo
prazo. Se há 10 anos tivesse sido posto em prática o programa
de inspeção veicular, como fazemos hoje, estaríamos
em outra situação", salientou o prefeito. Kassab também
mencionou tecnologia que transforma em energia elétrica gases produzidos
nos aterros sanitários, também em prática no Município.
A 7ª Conferência Municipal de Produção Mais Limpa
foi organizada pela Câmara Municipal e pela Secretaria Municipal
do Verde e do Meio Ambiente, com apoio da Associação Brasileira
das Empresas de Conservação de Energia e Emurb (Empresa
Municipal de Urbanização).
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